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Embora representem 52% da população, as mulheres têm cerca de 17% das cadeiras na Câmara e 13% no Senado, mostrando que ainda há grande sub-representação.
Nesta terça-feira (24), o Brasil celebra 94 anos do voto feminino. Conquistado em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, o direito permitiu às mulheres não apenas votar, mas também concorrer a cargos eletivos, avanço histórico na participação feminina na política e na democracia.
A vitória foi resultado de décadas de mobilização do movimento sufragista, que começou no final do século XIX e ganhou força ao longo do início do século XX. Mulheres de todo o país se organizaram em associações, congressos e campanhas, defendendo o direito de votar e de participar ativamente da política.
O primeiro voto feminino foi registrado em 1933, e a Constituição de 1934 consolidou oficialmente o direito ao voto para mulheres em todo o país.
Movimento Sufragista
A luta pelo voto feminino no Brasil começou a ganhar forma no fim do século XIX. Em 1881, a Lei Saraiva reformou o sistema eleitoral e permitiu o alistamento de brasileiros com título científico. Com base nessa brecha, a dentista Isabel de Souza Matos acionou a Justiça para garantir o direito de votar, tornando-se uma das primeiras mulheres a desafiar formalmente a exclusão feminina das eleições.
‘A Mulher do Diabo’
Uma das pioneiras foi Leolinda Daltro, professora e feminista, que em 1910 fundou o Partido Republicano Feminino, primeira organização política dedicada à emancipação das mulheres. Ela defendia que a participação política feminina era essencial à justiça e à igualdade, mobilizando mulheres por todo o Brasil.
Conforme exposto no artigo Leolinda Daltro, de Kárita Ferraz das Chagas, a ativista política chegou a ser apelidada de ‘a mulher do diabo’ em 1910.
‘A sua coragem chegou a longes lugares, ficou conhecida, em 1910, como a mulher do diabo. Além de ir contra o ensino da igreja, era uma mulher separada. Ativa na política, caminhando em ambientes até então apenas masculinos. Uma de suas principais bandeiras era de que a transformação viria pela educação, levando o saber a outras mulheres, indígenas e demais grupos oprimidos, para que lutassem pelos seus próprios direitos. Incluindo o voto feminino, que não era visto com bons olhos pela sociedade católica e masculina. Nesse mesmo ano, fundou o Partido Republicano Feminino’.
O Partido Republicano Feminino foi pioneiro na luta das mulheres brasileiras pelo voto e, em novembro de 1917, organizou uma marcha pelo centro do Rio de Janeiro, reunindo cerca de 90 mulheres.






