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Dicas de Filmes: Uma garota de muita sorte

A narradora, Ani FaNelli, tem 28 anos, um ótimo emprego, um endereço impressionante, um corpo invejável, um noivo que é praticamente um príncipe encantado e, não podemos esquecer, uma faca na mão. Ela não consegue parar de imaginar como seria enfiar aquela lâmina forjada de níquel e aço na barriga do futuro marido, mas, para além de seus pensamentos, tudo o que faz é sorrir para o vendedor e concluir a compra em uma luxuosa loja de utensílios de cozinha nova-iorquina.

Ani, acima de tudo, sabe falar bem, se vestir bem, comer bem (e pouco, para continuar se vestindo bem, ou seja, tamanho PP), mas guarda certos segredos. Em resumo, Ani, ou melhor, TiFani FaNelli, é uma farsa – uma personagem detestável, ainda que desconfortavelmente familiar: Uma garota de muita sorte apresenta uma história envolvente que junta sarcasmo, ultraje e ternura para abordar, de maneira pouquíssimo convencional, temas como aparências, autoconhecimento e fantasmas pessoais.

No centro da trama está uma polêmica cena de estupro coletivo, que a autora revelou ter sido baseada em sua própria experiência. Em texto divulgado no site Lenny Letter, mantido por Lena Dunham, da série Girls, a autora contou que, na época da escola, foi a uma festa, flertou com um rapaz, bebeu demais e desmaiou. Acordou com um estranho entre suas pernas – e ele não era o único. Ninguém, no entanto, chamou aquilo de estupro; pelo contrário: Jessica ganhou fama de “vagabunda”. “Assim como Ani, a única forma de sobrevivência que encontrei foi rir alto dos meus estupradores, falar manso com as garotas malvadas e me dedicar a cavar meu túnel para fora dali”, escreveu.

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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