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Rosangela Gomes cria lei que dá visibilidade às agredidas que têm deficiência

Saiu no site REVISTA MARIE CLAIRE

 

Veja publicação original:  Rosangela Gomes cria lei que dá visibilidade às agredidas que têm deficiência

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A deputada federal do partido Republicanos, finalista na categoria Legislativo, fez uma lei que obriga a registrar no Boletim de Ocorrência a informação sobre deficiência preexistente da mulher vítima de violência. Na delegacia, o agente tem o dever de registar se a agressão pode ter causado o surgimento da deficiência ou o agravamento daquela condição.

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Por Patrícia Zaida

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O cotidiano violento de casa marcou a infância e a adolescência da deputada federal Rosangela Gomes, 53 anos, natural de Nova Iguaçu, cidade da Baixada Fluminense, onde cresceu e mora até hoje. Filha de mãe empregada doméstica e pai motorista, nos finais de semana ela via transformar em ringue o cômodo onde morava com os dois e a irmã mais velha. Alcoolizado, o chefe da casa batia na esposa e ela revidava. “Um dia, minha mãe chegou a feri-lo com uma tesoura”, lembra. O pai morreu quando ela tinha 12 anos, por complicações decorrentes da bebida. A irmã se casou, continuou morando na casa, e Rosangela assistiu à rotina de violências em reprise. “O marido bebia e a espancava diariamente”, diz a deputada. “Não via sentido na vida, e tentei me matar tomando comprimidos. Fiquei desenganada no Hospital Geral de Nova Iguaçu por duas semanas”, recorda. “Mas a fé me resgatou e mostrou que eu podia mudar minha história”, lembra ela, que se tornou evangélica.

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Voltou a estudar e a batalhar pelo próprio dinheiro, como ambulante. Vendia doces nos faróis. Também fazia ponto na frente do hospital. “Os funcionários notaram o esforço e me ajudaram a conseguir um emprego lá”, conta. Com o salário, pagou um curso de auxiliar de enfermagem. Mais tarde, formou-se em Direito. Na igreja, dedicava-se aos trabalhos sociais voltados para os jovens sem perspectiva de futuro, como ela fora.

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Seu bairro, Cobrex, é marcado por inúmeras carências e pouca assistência por parte do poder público. “As dificuldades das pessoas ao meu redor e a vontade de ajudá-las me levaram à política”, explica Rosangela, que conquistou o primeiro mandato de vereadora em 2000. “Eu era a única mulher na Câmara, entre 20 homens.” Seu primeiro projeto propunha a criação de uma comissão de direitos da mulher na casa legislativa e o segundo pretendia abrir mais vagas de creches para as moradoras de sua cidade, que fica a 37 quilômetros do Rio de Janeiro. A ideia era ajudar as mulheres a conquistar autonomia financeira como forma de deixar a dependência de companheiros violentos.

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“Sempre fui minoria e entendi rápido que devia incentivar outras mulheres a entrar na vida pública. Para mudar o cenário, precisamos ter representatividade. Do contrário, não atuaremos em questões que são tão nossas e, infelizmente, a violência doméstica é uma delas.”

Autor

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O empoderamento feminino segue sendo sua bandeira. Como secretária-geral da mulher no seu partido, o Republicanos, tem o papel de incentivar outras a participarem da vida política do país. “Precisamos de mais representatividade para atuar melhor em todas as instâncias que promovam a igualdade entre homens e mulheres”, acredita. Depois de três mandatos de vereadora, Rosangela foi eleita deputada estadual e exerce o segundo mandato de deputada federal.

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No Congresso, conseguiu aprovar o projeto que considera um dos mais importantes da sua trajetória parlamentar, e que deu origem à lei 13.836, sancionada em junho passado. É um adendo à Lei Maria da Penha que tornou obrigatório registrar no Boletim de Ocorrência a informação sobre deficiência preexistente da mulher vítima de violência. Na delegacia, o agente tem o dever de registar se a agressão pode ter causado o surgimento da deficiência ou o agravamento daquela condição.

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Sua iniciativa olha para um viés da violência contra a mulher que ainda não havia sido considerado, mesmo sendo um dos aspectos presentes na biografia da farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que dá nome a esse importante marco da legislação contra violência doméstica e familiar. Vítima das agressões do marido, que tentou matá-la duas vezes, Maria da Penha enfrenta sequelas que a prendem a uma cadeira de rodas. A deputada inspirou-se também em outro caso para apresentar seu projeto: “Nas visitas que faço às comunidades uma mulher me impressionou muito. Ela ficou dependente de muletas de tanto apanhar do marido.” Rosangela levou em conta o fato de que, muitas vezes, a deficiência é um obstáculo a mais para denunciar o agressor. “Com limitação para se locomover, como a mulher vai até uma delegacia? Se é deficiente auditiva, que usa a linguagem de sinais, de que maneira comunicará o abuso aos policiais?”

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O impacto de Rosangela
Para as estatísticas, as vítimas que têm algum tipo de deficiência são invisíveis. Não existem registros oficiais sobre essa condição quando é feita a denúncia. Então, o primeiro impacto da nova lei é visibilizar os casos e fornecer dados para que o poder público possa estruturar serviços mais adequados para o atendimento. É preciso ainda criar condições de acessibilidade e treinar funcionários para a comunicação com essas mulheres.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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