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O namorado possessivo que não aceita o fim do namoro pode te matar

Saiu no site UNIVERSA

 

Veja publicação original: O namorado possessivo que não aceita o fim do namoro pode te matar

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Por Nina Lemos

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No dia 8 de maio Maira Dondoni, de 22 anos, foi morta. Motivo alegado pelo ex que a matou: ela não tinha aceitado um convite dele para sair. Ele não aceitava o fim e pronto, a matou a tiros. Simples e terrível assim.

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O caso faze parte de um fenômeno alarmante no mundo todo, com destaque para o Brasil: muitas mulheres são mortas por esse motivo simples: terminar um relacionamento com um homem que não aceita o fim. Segundo levantamento feito pela Folha no Dia das Mulheres desse ano, essa é a segunda causa de feminicídios no Brasil. A primeira é o ciúme, a suspeita de traição.

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Não aceitar o fim de um relacionamento e ser uma pessoa ciumenta são duas atitudes intimamente ligadas, certo? “Se ela não for minha, não vai ser de ninguém mais”, pensa o sujeito, que, muitas vezes, quando o caso se agrava, vira um assassino.

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Um novo estudo divulgado nos Estados Unidos, país onde em 2018 cerca de 1,8 mil mulheres foram mortas (93% por parceiros ou exs) alerta para o risco. Os pesquisadores da Universidade de Washington publicaram em abril no “Jornal Americano de Pediatria” que um quarto das adolescentes mortas por parceiros no país morreram por esse motivo: ciúme e terminar um relacionamento.

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Os especialistas declararam que essa é uma questão de saúde pública nos Estados Unidos. No Brasil, é o mesmo, como sabemos.

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No caso dos Estados Unidos, alarmados, os especialistas pediram para que os pais, professores e a sociedade em geral olhem com atenção para garotas quando elas terminam uma relação e/ou estão envolvidas com um namorado ciumento. Afinal, essa é a causa de 27% da morte de adolescentes no país.

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Nós, brasileiros, podemos (e devemos) estender esse alarme para nós.

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O Brasil é o quinto país do mundo com maior numero de violência contra a mulher. Uma mulher é morta de maneira violenta no país a cada duas hora. Levantamento feito no mês de janeiro no país mostra que, de 179 de casos, 72% dos crimes tiveram como assassinos atuais ou ex-namorados das vítimas.

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Estamos em risco. E nossas filhas e sobrinhas também. O que fazer? Muito.

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Para começar, fiquem atentas, irmãs, fiquem atentas! É claro que não é todo homem que é um assassino, de jeito algum. Mas aquele cara que a controla, checa sua rede social sem sua permissão, tenta afastá-la dos seus amigos e reclama das suas roupas de um jeito agressivo pode virar, sim, um agressor.

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Estudos mostram que, a maioria das mulheres que são assassinadas já havia sofrido agressão antes. Ou seja, não é normal um namorado dar um tapa ou um beliscão. Isso não deve jamais ser tolerado. Se você vir uma amiga passando por isso, converse com ela seriamente. O mesmo vale para filhas, filhas de amigas e todas as meninas ao nosso redor.

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E também para os homens, claro. Não passe pano para o seu amigo que trata mal a namorada. Não ensine seu filho a ser possessivo.

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Todos os estudos conectam esses números horríveis com uma sociedade machista, onde a mulher é vista como posse. Mudar isso é papel de todos nós. Todos os dias. É triste, mas os médicos americanos têm razão. Precisamos, sim, ficar de olho. Todos. E como diz um slogan dos anos 80, “Quem ama não mata”. Se um namorado mostrar qualquer atitude violenta com você, o nome disso não é amor, mas agressão mesmo. Corra. Lolla, corra!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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