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Marta, a primeira mulher homenageada na calçada da fama no Maracanã

Saiu no site CARTA CAPITAL

 

Veja publicação original:  Marta, a primeira mulher homenageada na calçada da fama no Maracanã

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O que é mais simbólico: o reconhecimento ou a demora para isso? Até a semana passada, apenas homens constavam nas homenagens da Calçada da Fama do Maracanã. Marta, eleita por seis vezes a melhor jogadora do mundo pela Federação Internacional do Futebol (FIFA), foi a primeira mulher a deixar sua marca.

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A homenagem, que aconteceu na última segunda-feira (10),  vem acompanhada de duas questões a serem pensadas: o reconhecimento que o futebol feminino vem recebendo neste ano e a demora para uma mulher alcançá-lo no ‘’País do Futebol”.

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Com pequenos, mas importantes passos,  o país de Pelé, Zico e Garrincha, vem pouco a pouco, se tornando o país de Marta também.

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Além de deixar os seus pés gravados na Calçada da Fama, a jogadora ganhará um espaço destinado à sua carreira e conquistas  no “Maracanã Tour”, que será inaugurado em breve.

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A camisa 10 da Seleção também deixou o seu registro no chamado Livro de Ouro do Maracanã. “Uma grande honra deixar essa mensagem no livro do templo do nosso futebol. Obrigado pelos momentos fantásticos vividos aqui”, escreveu.

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É inegável o avanço na valorização do futebol feminino no Brasil nos últimos meses. Este foi foi marcado por primeiras vezes. Primeira vez que uma mulher coloca o seu pé na Calçada da Fama do Maracanã oficialmente. Primeira vez que a CBF premia as melhores jogadoras do Campeonato Brasileiro. Primeira vez que a televisão aberta compra os direitos de transmissão da Copa do Mundo Feminina e transmitirá o Mundial do ano que vem.

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São esses pequenos passos que movem os sonhos de tantas meninas das categorias de base.

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Marta é um espelho para muitas delas e ver a maior jogadora de todos os tempos, finalmente, ser reconhecida desta forma, dá cada vez mais esperança.

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A Rainha sabe do seu peso dentro e fora das 4 linhas e espera servir de incentivo não apenas para o futebol feminino, mas para todas as mulheres.

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“Toda homenagem a gente fica emocionada, porque é um passo à frente que estamos dando. É importante demais, porque a gente incentiva as mulheres a lutarem pelo seu espaço em todas as áreas e, sem dúvida, isso tem motivado cada uma delas a seguir lutando dentro deles. Fico feliz por isso (estar na calçada da fama) ser no meu país, que é considerado o país do futebol e a gente está a cada dia dando passos para frente em busca do nosso espaço, e isso me faz feliz”, declarou Marta durante o evento.

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Apesar disso, a atual jogadora do Orlando Pride se tornou a 102ª pessoa a deixar sua marca no estádio. Quando se pensa nesses números, é ainda mais gritante a diferença de gênero presente no futebol brasileiro. 101 homens foram homenageados, enquanto apenas uma mulher foi convidada em mais de 15 anos de Calçada da Fama.

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A camisa 10 da seleção brasileira já teria sido homenageada em 2007, depois de ter conquistado a medalha de ouro no Pan. O molde, porém, teria sido perdido nas obras para a  Copa do Mundo.

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Só 11 anos depois a convidaram novamente. Enquanto isso, ela foi eleita a melhor jogadora do mundo em 2008, 2009, 2010 e 2018; além de 2006 e 2007.

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Marta também atingiu importantes números: marcou mais gols em Copa do Mundo do que Pelé. A jogadora passou da marca dos 100, enquanto o rei do futebol, marcou 95 vezes.

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Esses dados não são para dizer que Marta é melhor que Pelé ou algo do tipo, mas para questionar: Se fosse um homem a superar a marca do rei do futebol, quanto tempo levaria para ele ser homenageado na Calçada da Fama?

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Se não fosse a Marta, quanto tempo a mais levaríamos para ter uma mulher na Calçada da Fama do Maracanã? Quanto tempo levaríamos, se não fossem os seus 6 prêmios individuais da FIFA que, provavelmente, pesaram? Quanto tempo levaremos para ter outra mulher com os pés gravados em um dos mais importantes estádios do mundo?

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A gente vê como avanço, e sim, isso é importante e fundamental para o futebol feminino. Entretanto, reconhecer uma mulher que é 6 vezes melhor do mundo, é quase que uma obrigação e cá entre nós, já tinha passado da hora.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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