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Crimes de ódio matam 84 mulheres em SP nos 8 primeiros meses de 2018

Saiu no site JORNAL NACIONAL

 

Veja publicação original: Crimes de ódio matam 84 mulheres em SP nos 8 primeiros meses de 2018

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No Brasil, o Ligue 180 recebeu mais de 72 mil relatos e denúncias de violência contra a mulher no período. Casos de feminicídio ganharam repercussão este ano.

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Nesses últimos dias de 2018, um ano que teve casos emblemáticos de violência contra mulheres, a divulgação de novos casos reforçou a importância de buscar ajuda e denunciar abusos.

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Uma carona para a violência. A auxiliar de enfermagem Josefa Paula Assis Bispo saía do trabalho quando o ex-marido se ofereceu para levá-la de volta para casa. Imagens de câmeras de segurança mostraram quando Edilson dos Reis Bispo parou no meio do caminho, pegou uma garrafa com um líquido inflamável, jogou em Josefa e pôs fogo.

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As chamas também atingiram o casaco de Edilson. Ele jogou a mochila da ex-mulher no fogo e fugiu. Josefa conseguiu pegar o celular e pedir socorro. “Eu escutei ela gritando, gritando. Aí ele saiu montado na moto para lá”, relembra a dona de casa Iracema Rodrigues.

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Josefa contou aos policiais que ficou casada com Edilson por dez anos, estava separada há um mês e que o ex-marido não era agressivo. Edilson está foragido.

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“Ele a abordou quando ela saiu à pretexto de conversarem sobre o relacionamento, sobre os filhos que eles têm em comum. Em momento algum ele aparentava estar nervoso ali. Não foi uma discussão que ele resolveu agredir ela. Não. Já tinha o produto inflamável ali na moto. Então, aparentemente, algo premeditado”, diz o delegado Eduardo Ribeiro.

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Josefa foi levada para o hospital onde trabalha em Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo. Ela foi internada na UTI por causa de queimaduras em uma das mãos e no rosto.

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Josefa está viva, mas 84 mulheres foram assassinadas nos primeiros oito meses de 2018 no estado de São Paulo, vítimas de crime motivado por ódio contra o sexo feminino – um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2017.

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No Brasil, o Ligue 180 recebeu mais de 72 mil relatos e denúncias de violência contra a mulher no primeiro semestre de 2018. Ano em que a advogada Tatiane Spitzner, segundo a polícia, foi esganada e jogada da sacada pelo marido Luís Felipe Manvailer, no Paraná. Ele está preso. Outro caso de repercussão nacional foi a execução da vereadora pelo Rio de Janeiro Marielle Franco, crime que ainda foi esclarecido, nove meses e meio depois.

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Nesta quarta-feira (26), Ana Rita Dantas da Silva e Élida Oliveira foram assassinadas.

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Jonatan de Melo Ferreira asfixiou a namorada, Ana Rita , num motel no Rio. Ele mesmo chamou a polícia e se entregou. Jonatan achava que estava sendo traído. “Ele não estava aceitando essa possibilidade de término, que era um relacionamento que estava caminhando para o fim. Então, ele não admitia a perda da vítima, não admitia ficar sem a vítima”, diz o delegado André Barbosa.

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Élida levou uma facada do companheiro, Tiago Boliviano Tristão, em Campinas, no interior de São Paulo. Segundo vizinhos, ela queria terminar o relacionamento. Tiago está foragido.

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Um vídeo, gravado por uma jovem de Goiânia há 12 dias, acabou viralizando na internet. Vitor Junqueira, de 24 anos, agride a então namorada. A defesa de Vitor Junqueira declarou que o agressor está cumprindo medidas cautelares, entre elas, a de não se aproximar da jovem. Ele foi indiciado por lesão corporal, violação de domicílio, injúria e ameaça.

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Segundo a juíza Tereza Cabral, o fim do relacionamento é um dos principais motivos para o crime contra a mulher: “No momento do rompimento da relação, isso não é aceito, porque o relacionamento com aquela mulher é entendido como posse, como parte, como extensão daquele homem, e é aí que esse tipo de crime grave acaba acontecendo. É importante romper o silêncio, fazer a comunicação. Pedir auxílio, pedir ajuda, não ficar quieta. Para que esse ciclo possa ser rompido”.

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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