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Como a liberdade dos agressores afecta vítimas de violência doméstica

Saiu no site SÁBADO – PORTUGAL

 

Veja publicação original: Como a liberdade dos agressores afecta vítimas de violência doméstica

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Por Alexandre R. Malhado

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O homem detido em Alverca por agredir com pontapés e socos na barriga a companheira, grávida em fim de gestação, ficou em liberdade. APAV diz que vítimas de violência domésticas sentem impunidade, medo e culpa.

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Impunidade, medo e, às vezes, culpa. Culpa por acharem que exageraram ao denunciar o seu suposto agressor. Estes são três sentimentos que costumam estar presentes em vítimas de violência doméstica que vêem o seus agressores serem libertados pelos tribunais, à semelhança do que aconteceu esta quinta-feira com o agressor de uma grávida em fim de gestão, desferindo-lhe pontapés e socos na barriga.

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“Além do medo, porque o agressor está solto, há vítimas que sentem culpa e colocam-se em causa. Sentem que aquilo que disseram ou que lhes aconteceu não foi suficiente, que terão exagerado. Começam a desconfiar de si próprias por sentir que é uma medida [de coação] curta”, explicou à SÁBADO o psicólogo Daniel Cotrim, membro da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

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O alegado agressor foi apanhado em Alverca a espancar a mulher, de 32 anos, grávida em fim de gestação, tendo sido imobilizado por um agente do Corpo de Intervenção da PSP, de 34 anos, passava de carro pelo local. Esta quinta-feira, o alegado agressor foi presente a um juiz de instrução criminal no Tribunal de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, que lhe decretou a medida de coação de “proibição de contacto com a vítima”, ficando em liberdade com pulseira electrónica.

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“Não pondo em causa o que esteve por detrás da decisão dos senhores magistrados, o que nos preocupa é a imagem pública que passa relativamente à suposta impunidade aos agressores de violência doméstica”, argumenta o psicólogo. “Isto afecta directamente os homens e mulheres vítimas de violência doméstica, que agora podem sentir menos vontade, mais receio, menos confiança no sistema, para fazer uma denuncia e reformular a sua vida num contexto abusivo”, acrescenta.

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Ao longo da sua experiência, medidas de coação como “proibição de contacto com a vítima” nem sempre chegam para impedir os agressores de continuarem os seus abusos. “Às vezes, a apresentação automática ou uma medida de afastamento não garantem a segurança das vítimas, porque de alguma forma o sujeito não está inibido de se poder encontrar com a vítima”, explicou Cotrim. “Em relação a estas situações, o sistema deve emitir uma atitude mais assertiva, de maior intolerância à violência doméstica”, acrescentou.

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“As medidas de coação devem ser aplicadas em proporção ao acontecimento. Do que conhecemos, este tipo de acontecimentos são vivenciados com muita violência – e muita perseguição à vítima”, concluiu Cotrim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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