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VIOLÊNCIA CONTRA MULHER: 38 mil denúncias foram registradas no primeiro semestre de 2018

Saiu no site DIÁRIO DE PETRÓPOLIS 

 

Veja publicação original: VIOLÊNCIA CONTRA MULHER: 38 mil denúncias foram registradas no primeiro semestre de 2018

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Por Tainá Ferreira e Cintia Moreira

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A violência contra a mulher continua sendo um problema que preocupa as autoridades brasileiras. De acordo com dados do Ministério dos Direitos Humanos, só nos primeiros seis meses deste ano, mais de 38 mil denúncias de violência contra mulheres foram registradas no disque 180.

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A violência pode se manifestar de várias formas. Ela pode ser física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. E pode destruir a vida de qualquer mulher. É o caso, por exemplo, de Patrícia. Em poucos meses de relacionamento, ela e o companheiro começaram a morar juntos. Ele decidiu que não queria que Patrícia trabalhasse mais, se mostrava extremamente ciumento, até que começaram as ameaças.

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Depois disso, ela tomou coragem, foi até a Delegacia da Mulher e fez a denúncia. Quando voltou para casa, nenhum dos pertences dela estavam mais lá. Patrícia conta que até hoje vive apavorada, porque as ameaças ainda continuam.

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“Eu tenho muito medo de encontrar ele, porque toda vez que ele vê alguém que me conhece, ele fala, ‘O que é dela está guardado’. Que o dia em que ele me pegar vai me matar”, lamenta ela.

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Patrícia conta ainda que, de noite, ela dorme muito pouco, porque fica frequentemente vigiando para ver se o ex-namorado não vai aparecer na casa dela. E que isso, não é amor.

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“Quando a pessoa ama, ela cuida! Ela não bate, não machuca, não maltrata, ela não ameaça. Ela te deixa viver em paz e eu não tive paz”, conta Patrícia.

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As discussões sobre o assunto se intensificaram neste mês principalmente por conta do Dia Internacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, no último domingo (25). Agora, nesta terça (27), o governo federal lançou o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher.

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As ações vão promover a colaboração entre estados e municípios com a União, com o intuito de trazer uma punição mais rigorosa contra ao agressor e uma prevenção eficaz contra a violência.

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“Ele busca um diálogo entre o poder federal, os Estados e os municípios, no sentido de criar diretrizes e de criar uma rede de proteção para tornar mais efetiva a proteção para as mulheres. É fundamental que as pessoas se conscientizem da importância desta pauta, que não há limite de tolerância para violência. Violência não pode ser tolerada em hipótese nenhuma”, explica o ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha.

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A professora Lia Zanotta Machado, do Departamento de Antropologia da UnB, explica que é até comum um casal discutir. Mas resolver os conflitos através da imposição física sobre o outro, sobre ameaças verbais, injúrias, ou sobre humilhações é inadmissível em qualquer relacionamento.

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“Ciúmes, as mulheres sentem, os homens sentem, mas o ciúme não é razão para violência contra a mulher. Não é razão para matar. Não se mata por amor, se mata por ódio. Se o amor já foi, cada um vai para o seu canto, se separa ou então, fica junto e recompõe as relações, mas jamais através da violência”, enfatiza a educadora.

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Por isso, em casos de violência contra a mulher, basta ligar para o 180. A Secretária Nacional de Proteção para Mulheres do Ministério dos Direitos Humanos, Andreza Colatto, conta que a ligação é de graça e confidencial.

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“A Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres faz um apelo a toda a sociedade, que divulgue e utilize o canal “ligue 180”, que hoje é nossa principal porta de entrada de informação a respeito da violência sofrida por mulheres e também de denúncia. É um canal confidencial que funciona 7 dias por semana, 24 horas por dia e atende as mulheres brasileiras que vivem em 16 outros países. A sociedade precisa entender que ela também faz parte desse enfrentamento”, afirma a secretária.

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Você tem voz

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Um vídeo lançado no último domingo (25) pelo governo federal, com a cantora Naiara Azevedo, fez com que o número de denúncias de violência contra a mulher aumentasse 16 vezes em relação à média, somente no primeiro dia.

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Atualmente, a média de telefonemas para o Ligue 180 é de 350 por dia. Nesta segunda-feira (26), um dia após a divulgação do vídeo nas redes sociais, a central recebeu mais de 5,6 mil denúncias.

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O clipe utiliza uma música que, quando se escuta apenas a letra, parece uma canção de amor. Mas quando se assiste às imagens do clipe, é possível perceber que – muitas vezes – o que era tido como “amor”, na verdade, é abuso. As imagens são fortes e incentivam à denúncia para o número 180.

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Plano Nacional

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No lançamento do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher, o presidente Michel Temer lembrou que, apesar das dificuldades, é urgente enfrentar o problema de violência contra as mulheres.

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“Todos sabemos que esse desafio não é fácil. Afinal, a violência contra a mulher não conhece extrato social, idade, nem região do país. Muitas vezes as pessoas pensam que isso acontece entre os mais pobres, e não é isso. As estatísticas revelam abundantemente que em todos os extratos sociais há muitas vezes violência contra mulher. E como foi dito aqui, ela está nas ruas, no trabalho, escolas, mas principalmente dentro de casa. Justamente onde deveriam se sentir até mais protegidas”, disse Temer.

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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