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NAOMI SIMS – A PRIMEIRA TOP MODEL NEGRA.

Saiu no site CAPITOLINA

Por STEPHANIE RIBEIRO

 

Tornou-se recorrente que, quando uma mulher negra é eleita vencedora de algum concurso de  beleza ou por alguma revista como a mulher mais bonita do mundo, muitos questionem: É esse o tipo de representatividade que negras querem? Eu queria que mulheres negras não fossem vistas como exceção, e sim como regra de estilo, beleza e estética. Por isso, é preciso, para responder essa questão complexa sobre qual é a representatividade que tivemos e queremos, retomar o passado identificando a luta de mulheres que se tornaram sinônimos de beleza com suas peles e traços negros num campo de disputa de narrativa que a supremacia branca soma muitas vitórias.

Um dos pilares que possibilitou que hoje exista mulheres negras ocupando minimamente espaços de moda foi Naomi Sims, uma das primeiras modelos negras a ser capa, participar de editoriais e ter uma presença constante nas principais revistas dos Estados Unidos. Tornando-se uma das primeiras supermodelos negras, inclusive alguns a colocam como sendo de fato a primeira Top Model Negra norte americana, que por sua carreira brilhante e representativa, abriu portas desse universo para outros grandes nomes como Naomi Campbell:

“Naomi foi a primeira”, disse o famoso estilista Halston ao New York Times em 1974. “Ela era a grande embaixadora de todos os negros. Ela quebrou todas as barreiras sociais”.

De pele negra escura e com traços negros, Sims atravessou barreiras coloristas e raciais, para se tornar um ícone de beleza e estilo. Era uma das modelos preferidas de estilistas como Halston, Bill Blass e Giorgio St. Angelo. Seu estilo marca, sem dúvidas, o começo dos anos 1970 e é anterior, por isso, a uma vanguarda do movimento “Black is Beautiful”. Com cabelos naturais, com perucas, com crespos, com lisos, com roupas coloridas, com estampas e jóias, Sims foi se tornando um símbolo de estética para mulheres negras nos editoriais que ela estampou. Porém, não foi tão simples se tornar referência, assim como ainda não é hoje. Noami Sims tem uma história marcada por abandonos, negligências, racismo e resiliência. Por isso é necessário celebrar as que vieram antes, para que seus passos não sejam esquecidos e suas trajetórias se tornem ensinamentos.

Model Naomi Sims on the street, Junho 1969:

A história de Sims começa em Mississipi no ano de 1948, ela cresceu em Homewood. Já na infância foi abandonada pela mãe aos 10 anos após a separação dos pais, não se sabe até hoje os motivos que levaram sua mãe ir embora só com suas duas irmãs sem ela. Depois disso foi para um abrigo esperando uma adoção, que chegou quando Sims foi acolhida por um casal negro, contudo já nessa época passou a entender as mazelas do colorismo, que é o preterimento de negros de pele escura em relação a negros de pele clara, pois sua irmã, a outra filha adotiva do casal, mais clara no tom de pele, era tratada “como uma filha“, enquanto para ela era relegado o papel de ajudante das tarefas domésticas. Em 1966, aos 18 anos, chegou em Nova York com uma bolsa para participar do Fashion Institute of Technology. Nesse novo contexto em que dependia de si, passou por situações financeiras difíceis e por isso começou a pensar em modelar como uma forma de garantir recursos financeiros. Naquela época, as chances de uma modelo negra eram praticamente nulas, então mesmo com o incentivo dos colegas de classe e professores para ela tentar se tornar modelo tendo em vista seu biotipo, Sims recebeu um NÃO de todas as agências que procurou. Segundo essas a negativa se deu pois a pele da jovem era escura demais. Sem uma agência para representá-la, Naomi não desistiu da carreira de modelo e passou a cultivar relações de amizade e proximidade com fotógrafos e outras figuras na indústria da moda. Em 1967, por conta dessa rede de contatos, tornou-se capa da edição de agosto da The New York Times Magazine. Um ano depois, a modelo entrou para a história ao estampar a capa do Ladies ‘Home Journal e em 1969 a capa da LIFE no auge dos debates dos movimentos civis e raciais.

 

Nami Sims in Scarf, New York, em 1969. Foto por Irving Penn:

 

“Isso me ajudou mais do que qualquer outra coisa porque mostrou meu rosto”disse Naomi Sims ao Ladies ‘Home Journal no ano seguinte. Quando apareceu na capa dessa publicação, foi a primeira vez que uma modelo negra foi destaque no país numa revista mainstream. “Depois que foi exibido, as pessoas queriam descobrir sobre mim e me usar como sua modelo”Em 2009 a sua capa da Life chegou a ser exibida na exposição The Model as Muse ” No Metropolitan Museum of Art, pois também nessa ela foi a pioneira sendo a primeira negra a estar na capa dessa revista.

Naomi Sims

Em setembro de 1968 foi a primeira aparição de Naomi Sims na Vogue que é considerada a Bíblia da moda, Naomi passou a dividir espaço em editais com as tops da época se tornando uma referência no mundo da moda. Ela usava peças de Oscar de la Renta, Bill Blass, Stephen Burrows e Halston. “Diana Vreeland [editor-chefe da Vogue de 1963 a 1971] adorava absolutamente Naomi”, diz Kilolo Luckett, historiador de arte que trabalha em uma biografia sobre a vida da modelo. Preferida de estilistas famosos e de editores de revistas Naomi se manteve firme aos seus ideais mesmo no auge do seu sucesso a prova disso é que no ano de 1972, ofereceram para ela o papel principal no filme de Hollywood “Cleopatra Jones”, mas ela recusou porque achava que a representação das personagens negras era racista e cheia de estereótipos.

Naomi Sims de Arthur Elgort:

 

A carreira de Sims durou cerca de cinco anos pois ela saiu da modelagem em 1973, depois que ela se aposentou resolveu empreender tornando-se uma mulher de negócios do ramo da beleza com um império de perucas pensadas para mulheres negras, o seu empreendimento provou ser um enorme sucesso gerando US $ 5 milhões em vendas anuais. Naomi provou o que queria, ela não era visionária só no campo da moda sendo apenas um “rostinho bonito”, ela foi uma grande empreendedora e escritora sendo autora de livros sobre modelagem, saúde e beleza focado nas mulheres negras, All About Health e Beauty for the Black Woman e All About Success for the Black Woman são seus título de maiores sucessos. Naomi Sims faleceu em 2009 depois de uma batalha contra câncer aos 61 anos. Ela é inspiração e exemplo de luta e empoderamento para mulheres negras, abriu caminhos na adversidade desse meio é a minha dica de estilo nessa coluna, segue como referências a beleza de Naomi Sims um nome que não pode ser esquecido.

 

Naomi Sims na Fashions of The Times em 1967:

 

Naomi Sims na Ladies’ Home Journal em 1968:

 

Naomi Sims Outubro de 1969 na Capa da LIFE:

 

Naomi Sims Agosto de 1973 na Capa da Cosmopolitan:

 

 

Naomi Sims vestindo Giorgio di Sant’Angelo, foto de Irving Penn para Vogue em 1969:

 

 

 

Veja publicação original: NAOMI SIMS – A PRIMEIRA TOP MODEL NEGRA.

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