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Este ano 24 mulheres morreram às mãos dos companheiros ou ex-companheiros

Saiu no site PÚBLICO – PORTUGAL

 

Veja publicação original:  Este ano 24 mulheres morreram às mãos dos companheiros ou ex-companheiros

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União das Mulheres Alternativa e Resposta contou 24 mulheres assassinadas até ao dia 20 de Novembro. No período homólogo de 2017, tinham sido 18. Estado não está a garantir o apoio necessário às vítimas, acusa UMAR.

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Por Natália Faria

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Subiu para 24 o número de mulheres assassinadas em contexto de violência doméstica desde o início do ano. O novo balanço do Observatório de Mulheres Assassinadas, da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), aponta para um claro aumento das mulheres mortas em contexto de intimidade. O ano passado, recorde-se, chegou ao fim com 20 mulheres mortas às mãos de actuais ou ex-companheiros ou familiares muito próximos.

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“O ano passado foi esperançoso, porque estávamos no terceiro ano consecutivo de queda, mas este ano voltou a aumentar”, declarou Elisabete Brasil, da UMAR, precisando que, no período homólogo de 2017, ou seja, entre 1 de Janeiro e 20 de Novembro, contavam-se 18 casos de femicídio.

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“Em termos de média dos últimos dez anos, Portugal soma 30 mulheres assassinadas por ano (nalguns anos tivemos 20 e noutros 42). E, enquanto no homicídio em geral, a tendência tem sido de quebra, no homicídio de mulheres nos contextos de intimidade e como estratégia de poder e controlo sobre as mulheres, tendo por base a discriminação de género, Portugal tem-se mantido constante, o que nos deve deixar a todos bastante preocupados”, acrescentou.

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Este novo balanço surge pouco antes do Dia Internacional para a Erradicação para a Violência Doméstica, marcado para domingo, 25 de Novembro, e segue-se à campanha que o Governo acabou de lançar e que apela à denúncia do flagelo através de uma linha gratuita criada para o efeito (800 202 148) e que funciona 24 horas por dia.

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Para a responsável da UMAR, a campanha é útil “numa sociedade que mantém o seu traço patriarcal e machista e em que há um contrato social que legitima a violência contra as mulheres”. Porém – acrescenta -, o problema não se resolve com campanhas, sobretudo quando estas “anunciam algo que não existe”. “Até admito que a linha anunciada esteja disponível 24 horas por dia, mas, se me pergunta se o Estado, no seu conjunto, está a garantir as respostas necessárias às vítimas, a resposta é ‘não’”, critica Elisabete Brasil, para sustentar que “os tribunais continuam a desresponsabilizar os agressores e a responsabilizar as vítimas”.

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“Temos leis cujo articulado continua a não ser aplicado pelos tribunais, nomeadamente quanto à detenção dos agressores fora do flagrante delito”, especifica, apontando ainda a necessidade de começar a dar sinais claros de “total intransigência” para com a violência doméstica. E para isso “basta que as leis que já existem sejam aplicadas”.

 

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Na reacção ao último balanço sobre mulheres assassinadas em contextos de intimidade, divulgado em Setembro e que contabilizava 21 casos, a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, sublinhara que “a violência contra as mulheres é um crime que envergonha o país“. “Uma mulher assassinada bastaria para nos indignar e mobilizar colectivamente”, acrescentara a governante.

 

 

 

 

 

 

 

 

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