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Assédio contra mulheres é pauta em evento no TRT-2

Saiu no site JUSTIÇA EM FOCO

 

Veja publicação original:  Assédio contra mulheres é pauta em evento no TRT-2

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No mês da Mulher, autoridades do setor judiciário se reuniram para debater a questão do assédio sexual contra as mulheres. Sob o título “Assédio Sexual não pode ser Segredo de Justiça”; a comunidade jurídica reuniu-se no auditório do fórum trabalhista Ruy Barbosa em São Paulo. O evento, organizado pelo Coletivo de Mulheres do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (Sintrajud), Associação dos Magistrados Trabalhistas de São Paulo (Amatra2), da Escola Judicial (Ejud) e o apoio da Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo (AATSP) a representar a Advocacia. O ato aconteceu na última quarta-feira (13).

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Representantes de diversas entidades representativas da comunidade jurídica e do Poder Judiciário se fizeram presentes, dentre as quais, Rilma Hemetério, Presidente do TRT-2; Sarah Hakim, Presidente AATSP; Luciana Carneiro, Diretora do Sintrajud; Patrícia Ramos, a representar a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 2ª Região (Amatra-2); Laura Benda, representante do Conselho Executivo da Associação Juízes pela Democracia e Fausta Fernandes, do Coletivo de Mulheres do Sintrajud, a mediar as palestras e intervenções.

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Ao discursar, a presidente do TRT-2 usou poucas palavras para falar sobre os anseios das mulheres. “Nós queremos iguais direitos, poder de escolha e inclusão. Queremos também caminhar lado a lado dos homens”, disse Rilma Hemetério.

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Já a Presidente da AATSP destacou que o assédio, em qualquer de suas formas, é resultado da indevida e injusta desvalorização do papel na sociedade. “Ela é premida naquilo que tem de mais caro: no tempo – já que o significativo período destinado às tarefas domésticas e cuidados com crianças e idosos é tido como tempo ‘de não trabalho’ –  e nas ideias que, muitas vezes, são expropriadas por superiores, colegas de trabalho e até por seus companheiros. E na sua dignidade, quando vítima de assédio sexual, sobretudo no ambiente de trabalho, onde se guarda uma relação de dependência econômica determinante. E quando se fala da mulher negra, nordestina e da Mulher pobre essa violência resta mais potencializada, não há dúvidas”, avaliou Sarah Hakim.

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Na avaliação da Diretora do Sintrajud, o grupo criado pela entidade é essencial para fortalecer o combate a todas as formas de assédio. “A importância de ter um coletivo é para trazer as mulheres e formar uma teia de aprendizado e solidariedade. O assédio tem que ser combatido, não tem que ser silenciado e não pode ser jogado para debaixo do tapete. Então, o Sintrajud acolheu essa demanda e a coloca em questão e discussão assim como fazemos com as demais causas”, defendeu Luciana Carneiro.

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De acordo com a representante da Amatra-2, é necessária muita reflexão sobre o papel da mulher na sociedade. “Ainda existe aquela ideia de que a mulher é um ser secundário, que sua missão no mundo é o trabalho doméstico enquanto o homem seria o ‘protetor da casa’, seria a divisão sexual do trabalho. Diante desse contexto, acho que o dia 08 de março não deve ser para comemorar, mas para refletir sobre as conquistas já realizadas e os desafios a serem enfrentados, pois o caminho ainda é longo e a batalha é árdua para a emancipação feminina em todas as searas”, ressaltou Patrícia Ramos.

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Ao avaliar as relações de gênero no cotidiano, a presidente do conselho executivo da Associação Juízes pela Democracia observa a necessidade de compreensão dos tipos de vínculos para obter avanços em igualdade de gênero. “Ser mulher não é apenas diferente de ser homem, como também, implica repressão, opressão, desvalorização e violência. É nesse contexto que vão se concretizar o estupro e as formas de assédio, inclusive o sexual. Portanto, a partir da análise das relações, de como elas são forjadas, é que poderemos obter uma melhor compreensão e começar a pensar em avanços”, analisou Laura Benda.

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Para a moderadora da mesa, é preciso haver algo semelhante à empatia para enfrentar qualquer opressão contra a mulher. “O primeiro passo para se livrar de qualquer opressão é reconhecê-la. E reconhecê-la não como natural ou normal, mas como algo a ser combatido. E assim a gente entende a opressão contra a mulher, a opressão de gênero e o assédio sexual”, acredita Fausta Fernandes.

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Conferências

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O ato ainda contou com palestras da Dra. Silvia Pimentel, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), fundadora do Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM) e ex-Presidente do Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres da ONU (CEDAW). A Procuradora Regional do Trabalho   da 2ª Região, Adriane Araújo, que coordena o Grupo de Trabalho de Gênero do MPT e integra o corpo docente da Escola Superior do MPU, também proferiu palestra sobre a atual situação da mulher no mercado de trabalho.

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A professora da PUC, que traz consigo um largo histórico de luta pela emancipação feminina, demonstrou satisfação com o cenário, visto no evento do Sintrajud. “Fiquei encantada pelo que assisti. Mulheres jovens com coragem para trazer estudos sobre o tema, isso é algo emocionante”, avaliou. Ainda de acordo com a docente, “as ondas feministas estão ascensão e o cenário é muito estimulante. No entanto, temos muito ainda o que fazer, mas estamos em um bom momento e precisamos seguir em frente”, comentou Silvia Pimentel.

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O site Justiça Em Foco fez uma entrevista exclusiva com a Adriane Araújo, logo após o evento. Nos próximos dias será publicada a íntegra do bate-papo com a Procuradora Regional do Trabalho da 2ª Região.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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